Sem Anestesia
Descrição
O livro do nosso prezado colega e amigo Alex Botsaris nos faz refletir sobre vários problemas que afligem a nossa medicina atualmente. Um destes, bem enfocado no livro, é o da iatrogenia, ou seja, o mal causado por medicamentos que ainda não foram estudados e são aprovados de maneira apressada, provocando problemas de relevância na saúde corporal! Recentemente, tivemos um medicamento abundantemente usado para a terapia da obesidade e que causava problemas cardíacos graves, tendo sido por isto retirado do mercado. Isto ficou bem claro neste livro, em que se revela a crítica contundente que a medicina clássica faz às práticas da medicina alternativa, considerando-as como inúteis e de eficácia duvidosa. Aqui mesmo, sentimos isto na própria carne, quando foi proibida a venda de lactobacilos por considerá-los inócuos, sendo que está comprovada a sua eficiência em casos de distúrbios por microorganismos (candidíase) intestinais e outras alterações. Em realidade, não há medicina alternativa nem tradicional. Uma é o complemento da outra. Quando professor visitante de nutrição da universidade de Harvard, fiquei impressionado com o grande número de cursos versando sobre medicina alternativa, que hoje corresponde a 55% dos tratamentos dos norte-americanos. Aqui, infelizmente, as nossas autoridades médicas proíbem esta medicina, esquecendo-se de que algumas delas correspondem a séculos de prática e experimentação humana, com resultados altamente satisfatórios. Recentemente, numa experiência, verificou-se que a oração, apenas ela, possibilitou a melhoria clínica significativa em pacientes cardíacos, conforme trabalho publicado numa revista de alto gabarito científico (Armais of Internal Medicine). Infelizmente, as multinacionais se preocupam apenas em promover uma verdadeira lavagem cerebral em nossos colegas, lançando produtos muitas vezes cheios de problemas colaterais e efeitos indesejáveis. Como magnífica borboleta desprendendo-se de um pútrido casulo, a nossa profissão brotou na magia, alcandorando-se logo a uma sublime postura divinal. Mas o planger dos doentes jamais se modificou "curai-nos", "aliviai-nos" e o médico se vê na obrigação de desempenhar o papel de homem-deus: de Imhotep ou de Esculápio, saindo da ilha Cós com a sua companheira, a Serpente, ou mesmo a de Cristo a pregar "vinde a mim vós que sofreis e sereis aliviados". Escrevemos estas linhas porque, no final do livro, o colega assume uma posição de idealismo cristão em que enfatiza um princípio por demais exaltado por nós: "o conhecimento das doenças é que faz a medicina, mas é o amor dos doentes que faz o médico". À beira dos leitos, irão aperfeiçoar nossas qualidades técnicas e nosso potencial humano, já que "nossos atos são sementes do destino semeadas aqui em nossa terra e colhidas na eternidade, um caminhar diríamos celestino para a nossa eterna felicidade". Ao enfatizar a melhoria da relação médico-doente, ao insistir em que o aspecto mais relevante da medicina é o amor e carinho aos enfermos, o nosso Alex Botsaris se impregna de celsitude: "O homem que é bom de anjo possui o viso, e está um tanto ou quanto deificado, pois que se ele não adentrou o paraíso, o céu já terá nele entranhado!". Caro Alex, o fecho de seu livro, pregando a intensificação do calor humano na relação médico-paciente, é um verdadeiro hino de amor à humanidade, diria mesmo uma obra de magnificência poética! Daí pedir permissão para encerrar este comentário com esta ode sobre poesia e medicina: É uma verdade nítida e serena Que na poesia há muita medicina, Já que ela e a todos rija terapia, Mas medicina é quase só poesia, Pois que só corações sensíveis e puros Podem enfrentar doenças e toxinas! São iguais em sua função o médico e o poeta, Um pretende salvar o corpo humano, Mas do poeta a tarefa, em sua essência, E redimir a nossa alma lutuosa, E mais que redimi-la é fazê-la Digna de ser libertada e resgatada! Rio, 16/7/01 Helion Póvoa Filho.
Informações Técnicas
- ISBN: -
- Categoria: Ciências Médicas
- Editora: -
- Tipo: Outro
- Idioma: Português