Psicologia e Análise do Comportamento: Pesquisa e Intervenção
Descrição
A endometriose é uma doença ginecológica crônica que atinge 10 a 20% da população mundial feminina em idade reprodutiva (Figueiredo & Nascimento, 2008; Nácul & Spritzer, 2010). É caracterizada pela alocação ectópica do endométrio, podendo se instalar em todo o sistema reprodutor, intestino, bexiga e aderências, dificultando a mobilidade dos órgãos e produzindo inflamações. Os sintomas da endometriose são variados e dependem de onde o endométrio está alocado. Tais condições podem causar dores crônicas (principalmente na região pélvica), cólicas intensas, dor na relação sexual e ao evacuar, sangramento na urina e/ou fezes e dificuldade para engravidar (Caldeira, Noronha, Oliveira, & Amorim, 2008; Ferreira, Bessa, Drezett, & Abreu, 2016; Matta & Muller, 2006). O diagnóstico de endometriose leva em média seis a onze anos em virtude da pouca divulgação sobre os sintomas da doença e por se atribuir a dor pélvica às cólicas convencionais. Outro fator que influencia na demora para se obter o diagnóstico, tem relação com a dificuldade para identificar o endométrio ectópico por meio de exames convencionais, como exames por imagens e de sangue, os quais nem sempre detectam a endometriose. O médico deve possuir esta hipótese diagnóstica para pedir exames mais específicos, como o mapeamento da endometriose, a aferição do CA 125 ou a ressonância magnética pélvica. Porém, geralmente se recorre à laparoscopia, um exame por vídeo, mais invasivo, mas mais garantido do diagnóstico e para o tratamento de retirada dos focos endometriais ectópicos. A dificuldade para se identificar as causas dos sintomas e as características específicas da enfermidade podem colaborar para um diagnóstico precoce e equivocado, além de contribuir para a desvalidação de relatos em relação à dor (Matta & Muller, 2006; Mendes & Figueiredo, 2012). Os tratamentos disponíveis visam geralmente o alívio dos sintomas e os mais usuais são a cirurgia de retirada do endométrio ectópico (também realizado por laparoscopia); os tratamentos hormonais (com anticoncepcionais) e a indicação para gravidez, podendo se recorrer à fertilização. Estes dois últimos são indicados porque os sintomas são atenuados quando a mulher produz menos estrogênio e fica sem menstruar (Caldeira et al., 2008; Ferreira et al., 2016; Mendes & Figueiredo, 2012). Os dados apontam que 30 a 50% das mulheres inférteis possuem endometriose o que dificulta para que a paciente siga a orientação médica para engravidar (Caldeira et al., 2008; Nácul & Spritzer, 2010). Diante de tal contexto, se observa um alto índice de padrões comportamentais relacionados à ansiedade, depressão, estresse, além de uma baixa qualidade de vida para tais pacientes. A busca constante pelas causas da doença, tratamentos mais eficazes e validação dos sintomas acaba por afetar a vida diária dessas mulheres, que geralmente são impedidas de realizar tarefas usuais, como por exemplo, trabalhar e frequentar eventos sociais (Ferreira et al., 2016; Lorençatto, Vieira, Pinto, & Petta, 2002; Matta & Muller, 2006; Mendes & Figueiredo, 2012; Vila, Vandenberghe, & Silveira, 2010). Sepulcri e Amaral (2009) realizaram um estudo com 104 mulheres diagnosticadas com endometriose pélvica e constataram que 86,5% apresentavam sintomas depressivos, 87,5% apresentavam ansiedade Análise do Comportamento e endometriose: Proposta de análise e de intervenção em grupo1 1 O presente estudo é fruto do trabalho de orientação da autora Maria Rita Z. Soares às outras autoras, alunas e ex-alunas do mestrado de Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina. 2 Autor para correspondência: Giuliana Inocente, Rua Ernani Lacerda de Athayde, 1200, apto 505 torre A, bairro Gleba Palhano, Londrina-PR, Brasil, CEP 86.055- 630 (43)99981-4438, giulianainocente@gmail. com 24 CAP 2 Inocente . Gonzáles . Soares . Botão e a qualidade de vida foi considerada insatisfatória pela maioria delas. Há uma correlação inversa entre a duração do tratamento e a qualidade de vida. Lorençatto, Vieira, Marque, Benetti-Pinto e Petta (2007) também identificaram sintomas de depressão em mulheres diagnosticadas com endometriose, além de dificuldade para estabelecer relacionamentos afetivos e sociais
Informações Técnicas
- ISBN: -
- Categoria: Psicologia
- Editora: -
- Tipo: Outro
- Idioma: Português